domingo, 22 de outubro de 2017

Toda a gente sabe...

Que uma coisa má nunca acontece sozinha.
Confesso-vos, cresci muito nestes 5 anos. Cresci em conjunto. E esperava continuar a crescer. O que não vai acontecer, e não por escolha minha. Custa muito. Ter tanto amor por alguém, e esse alguém deixar de o ter. É a história do costume.
Como é que se olha para essa pessoa, sem poder fazer tudo aquilo que apetece fazer?
A sério... uma parte de mim parece que está a aprender toda uma série de coisas.
Mas essa... essa só de imaginar é como se alguém me rasgasse o coração em mil.



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Um pequeno elefante

Eu sei que é um cliché, mas...
Sabem quando vos aparece alguém, quando menos e quem menos esperam, que de certa forma vos mostra que ainda há uma pequena e forte luz?
Se calhar não sabem.
Pensando bem... não me lembro de me ter acontecido muitas vezes. Às vezes sim.

Eu não sei se a Dª. Bruna percebeu que estava num dia não.
Mas aquelas palavras de " é muito simpática " e a lembrança que me deixou, encheram-me o coração de tal forma que quando a porta bateu, vieram-me as lágrimas aos olhos.

A minha mente desconfiada pensou numa data de cenários. Desde a: "mas será que ela roubou aquilo?" a " deram-lhe aquilo, ela não gostou e está a passar a outro" até a " tem um microchip integrado com escutas lá dentro".

Mas prefiro acreditar que foi um presente puro. Aliás, é nisso que acredito.
Que ao fim do dia me soube imensamente bem.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ainda sobre ontem...

E agora já não com as lágrimas a correrem-me pela cara.
A minha irmã disse-me para acompanharmos todo o processo do funeral. Porque agora, cada vez mais, é algo que vai acontecer, e que temos de saber o que fazer.
Assim foi.
Claramente não fui preparada em formação cívica para aquilo.
A manhã de ontem começou pela retirada das ossadas. Em síntese, a minha avó foi enterrada no mesmo sítio que o meu avô. 
E caramba. 
Nós não somos nada mesmo.
Somos alguém que nasce, vive e morre. E no fim, ficamos reduzidos a um conjunto de ossos. Nem roupas, nem caixão, nada. Só ossos.
Estamos num estado tão efémero que quebrei um pouco por não o conseguir aproveitar da forma que sonhei um dia.



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Sábado foi embora a minha segunda mãe.
Agradeço a Deus por te ter dado forças para conseguires ver toda a gente. Foste a mais mimada naquele hospital. Toda a gente foi lá para te ver e para tu os poderes ver. E viste. E isso enche-me de paz.
Enche-me de paz saber que o avô estava à tua espera. É uma certeza que eu tenho.
Que já não estás a sofrer. E que agora estás a olhar por todos nós.

Mas não consigo parar o choro.
Porque agora não consigo ouvir a tua gargalhada. Agora não consigo ouvir-te dizer " Estás uma boneca". Porque o meu Natal nunca mais vai ser o mesmo. Porque o meu peito está apertado. O meu estômago embrulhado. E eu só queria que te tivessem dado todo o cuidado do mundo. E não deram.  Queria que não tivesses ido mais de 12 vezes às urgências, para perceberem que tinhas um problema. Não é justo teres sofrido tanto. Não é. E não consigo evitar sentir esta revolta.
Querer mandar tudo e todos à merda.

Porque eu quando vim para saúde, queria tratar as pessoas como eu gostava que tratassem os meus. E tu não sabes. Mas às vezes, quando tenho um velhote lá na sala, penso em ti. Para o tratar o melhor que eu sei. E dói muito saber que não te deram o melhor tratamento possivel. Que para eles foste só mais um.

Cada vez que fecho os olhos, lembro-me de tudo o que posso de ti. Tenho medo de perder estas lembranças e de um dia me esquecer da tua voz e da tua cara. Isso aterroriza-me.
Porque não me quero esquecer.
Não me quero esquecer das febres com a toalha fria na testa.
Das vezes que me ias buscar e levar à escola. Dos almoços.
De quando me ralhavas por andar a estragar o jardim ou a 'lavar os pintos'.
De todas as vezes que me " tiravas o cobrante". Ou mesmo sempre que era obrigada a ver o João Baião tarde, após tarde.
Não me quero esquecer das vezes em que nos davas um prato de arroz para podermos atirar na procissão. Ou do dia de finados, quando chegávamos lá a casa para despejar os sacos.
Das tardes a comer bolachas de água e sal com água e açúcar. Dos gomos de açúcar amarelo que sempre que posso ainda roubo.
Ou de quem me garantiu que nas novelas aquilo eram tudo efeitos especiais e que os beijos a sério não existiam.
Do " Não te preocupes filha, que eu também já fui muitas vezes cortada", antes da minha operação.
Ou quando mentiste à minha mãe, para me protegeres e tentares evitar que eu levasse uma sova.
Das tuas iscas de fígado, aquela batata frita, o ovo estrelado, o teu cozido ou o feijão com couve. Os nógados ou as filhós. Nunca ninguém as vai voltar a fazer como tu.
Queria voltar a ser criança só para te poder ter como avó outra vez.

Mas isso não é possível.
E um pedaço de mim partiu.
És a minha avó preferida. Vais ser sempre.

" Deus te dê sempre saúde e ajuda para conseguires ser feliz"
Eu não sei se vou conseguir.
Espero que sim.
Obrigada por tudo avó.
Não sabia que melhor forma de dizer tudo sem ser a escrever.

Lembraste quando eu te tentei ensinar a escrever? E a V. a seguir?
Sabias bem. Era preguiça.

Descansa. Mas dá um olhinho por nós está bem? Sempre foste a cola desta família.
Eu vou ficar por cá, a tentar não esquecer da última vez que senti calor em ti e da última vez que te apertei a mão.

Obrigada por tudo. Por todo o amor que me deste. Por toda a paciência. Por me ensinares. E porque parte de ti ainda vive em nós.

sábado, 11 de março de 2017

Me time

Uma garrafa de vinha verde - de Ponte de Lima, das melhores, e música do Lalaland. Um 'me time'.
Entrei no mundo do trabalho, percebi toda aquela treta das notícias sobre o ' em Portugal o trabalhador achar que tem um dever para o patrão' dever, do género do agradecimento eterno. Uma parvoíce.
O mundo continua a girar.
E parece que ao contrário.
Não fossem as últimas notícias da 'Dra' (ahaha) Helena andar a dar conselhos sobre galdérias, ou o eurodeputado afirmar que as mulheres são mais pequenas e menos fortes logo têm que ganhar menos. Fodass. Parece que nada muda.
Tantas as vezes em que me ponho a pensar 'o que é que eu posso fazer?' .... sabem? para isto rodar no sentido certo. Para ver se avançamos um bocadinho.
Antes que o mundo nos engula de uma vez.
Eu sou das sossegadas.
Já aceitei a minha resolução.
Por enquanto me basta.
Sou um bocadinho assim com tudo.
Entenda-se... A desigualdade que existe não é só por parte de homens. Tantas mulheres pensam o mesmo... Enquanto for assim... Então resolvi começar por mim.
Deixar os julgamentos.
Parece tão simples e contudo é tão complicado.